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História da Astrologia

A História da Astrologia está intimamente ligada aos autores, a todos aqueles que a praticaram ao longo de milhares de anos até aos nossos dias. É através dos seus escritos e livros, que foram passando de geração em geração, de lugar em lugar, com múltiplas traduções e adaptações, que estudamos e aplicamos a astrologia, hoje, e percebemos a sua evolução e a sua constante mudança. Este é um registo sucinto de uma prática com mais de 5000 anos.

Génese
≈ 6000 a.C. – 4000 a.C.

O homem desde sempre observou o céu, com a sedentarização começou a perceber melhor os seus movimentos, principalmente da Lua, do Sol, os eclipses e outros fenómenos, e começou a relacioná-los com os eventos na Terra. Nesta fase aparecem os primeiros calendários. O homem utilizava estes conhecimentos para regular a vida e os seus ritmos, sobretudo na agricultura.

Período Mesopotâmico
≈ 4000 a.C. – 700 a.C.

Na zona da Mesopotâmia e Egipto, diversos povos foram determinantes para o aparecimento da astrologia, os sumérios, os babilónios e os caldeus foram os primeiros. Os sumérios identificaram as constelações por volta de 3000 a.C. e os babilónios adotaram-nas por volta de 2000 a.C., começando a registar sistematicamente os fenómenos celestes, estrelas, planetas e outros elementos.

Nesta fase surge o zodíaco e os signos, desenvolve-se o cálculo astronómico, são atribuídas as características aos planetas e as regências aos signos, e são atribuídas qualidades às estrelas fixas.

A Astrologia era sobretudo uma forma primitiva de astrologia mundana, relacionada com eventos coletivos, onde se inclui a política e a agricultura, apenas os reis tinham o privilégio de ter análises individuais muito gerais.

A Astrologia tem uma forte componente religiosa, sagrada e mágica. Nesta fase a Astrologia é praticada por sacerdotes e as construções refletem os alinhamentos e fenómenos do céu.

Um dos registos conhecidos com data de 2000 a.C. é um conjunto de 70 tábuas Enuma Anu Enlil.

Todos estes conhecimentos foram sendo passados para outros povos das proximidades, Judeus, Persas, Egípcios e Gregos.

Período Grego
≈ 700 a.C. – Séc. VII

Alexandria, no Egipto, grande centro comercial, foi também um local de referência para o conhecimento e por isso um palco privilegiado para o desenvolvimento da Astrologia. A sua população era constituída por egípcios, gregos e judeus, mas foram os gregos que mais desenvolveram a Astrologia, mudando a sua prática e aproximando-a do que conhecemos hoje.

A Astrologia chegou a Roma e os poetas escreviam sobre ela, difundindo-a por todo o império.

Nesta fase a Astrologia ganha uma dimensão filosófica, surgem as primeiras escolas e os primeiros tratados de astrologia que conhecemos hoje.

Por volta de 200 a.C. é criado o conceito de ascendente e as casas astrológicas. Surgem as partes e os mapas pessoais tornam-se mais frequentes. São definidas as triplicidades dos signos e os regentes das triplicidades, os termos dos signos e os regentes dos termos, os aspetos e os orbes dos planetas. Definem-se métodos de previsão, as profeções e as direções primárias. São definidas as horas planetárias.

Alguns autores e obras de referência deste período

Séc.II a.C Hermes Trismegistus – Liber Hermits
Séc I Marcus Manilius – Astronomica
Dorotheus de Sídon – Carmen Astrologicum
Séc II Ptolomeu – Tetrabiblos
Vettius Valens – Anthology
Antiochus de Atenas – The Thesaurus
Séc. IV Firmicus Maternus – Matheseos
Paulus Alexandrinus – The Introductory Matters, Olympiodorus
The astrologer of the Year 379 – The efects of the positions of the fixed stars
Séc. V Hephaistio de Thebes – The Apotelesmatics
Séc. VI Rhetorius the Egyptian

Período Medieval
Séc. VII – Séc. XV

A Astrologia nesta fase foi desenvolvida fundamentalmente pelos árabes, a partir da astrologia praticada pelos gregos. Os árabes, grande potencia da altura, desenvolveram a matemática e a astronomia, criaram a astrologia horária, introduziram os grandes ciclos e os ingressos na astrologia mundana, desenvolveram as partes dos gregos, a tal ponto que ainda hoje são conhecidas como partes árabes. Os árabes privilegiam os regentes das casas em detrimento dos regentes naturais. Inventam o retorno solar.

Nesta fase realizam-se traduções do árabe para o latim, que proporciona a difusão da Astrologia no mundo cristão. Os astrólogos assumem um papel muito importante como conselheiros de reis e nobres. A Astrologia representa um papel fundamental na medicina da época.

Alguns autores e obras de referência deste período

Séc.VIII Masha’allah – Six Astrological Treatises
Abu’Ali Al-Khayyat – The Judgements of Nativities
Séc. IX Omar Tiberiades – Three Books on Nativities
Abu’Mashar – The Great Conjunctions, The Great Introduction
Al-Kindi – On the Stellar Rays
Séc. X Alchabitius – Introduction to the Art of Judgments of the Stars
Al-Biruni – Os Elementos da Astrologia
Séc. XI Ali Ben Ragel – El Libro Conplido en los Iudizios de las Estrellas
Abraham Ben Ezra – Livro dos Julgamentos das Estrelas
Séc. XIII Guido Bonatti – Liber Astronomiae
Séc. XIV Antonius de Montulmo – On the Judgement of Nativities

Período Pré-Moderno
Séc. XV – Séc. XIX

O Renascimento traz uma mudança de mentalidades com reflexo na Astrologia, questionam-se as técnicas medievais e surgem novas técnicas que procuram recuperar técnicas clássicas do período grego. A invenção da impressão facilita a publicação de livros de Astrologia e aparecem os primeiros livros em linguagem corrente, ou seja, diferente do habitual árabe, grego ou latim. Surgem os almanaques em grande quantidade com as previsões climáticas e políticas.

O astrólogo já não é tão bem visto como no período medieval, principalmente em países onde a tradição cristã é muito forte.

No final do século XVI, a idade da razão e a abordagem científica provocam o declínio da Astrologia, provocando a separação da Astronomia. A Astrologia deixa de ser ensinada nas universidades e cai na banalidade e superstição.

A invenção de instrumentos de observação astronómica permite a descoberta de novos planetas e outros corpos celestes.

Alguns autores e obras de referência deste período

Séc.XV Regiomontanus – Tabelas Astrológicas
Marsilio Ficino – Three Books on Life
Johannes Schoener – Three Books on the Judgements of Nativities
Séc. XVI Gerome Cardan – Seven Segments
Junctinus – Speculum Astrologiae
Claude Dariot – A Brief and Most Easy Introduction to the Judgement of the Stars
Robert Fludd – Traité D’Astrologie Générale
John Dee – Aphorismi
Jean Baptiste Morin – Astrologia Gallica
Placidus – Three Books of Physiomathematical Questions
Séc. XVII William Lilly – Christian Astrology
Placidus de Titus – Primum Mobile
Nicholas Culpeper – Julgamento Astrológico das Doenças
William Ramesey – Astrologia Restaurata
Henry Coley – Key to the Whole Art of Astrology
John Partridge – Mikropanastron
Séc. XVIII Ebenezer Sibly – The Complete Ilustration of the Celestial Art of Astrology

Período Moderno
Séc. XIX até hoje

No final do século XIX a Astrologia é recuperada mas com poucas bases tradicionais, para isso contribuem a falta de livros e traduções. A ênfase é dada à Astrologia Natal, os outros ramos têm importância menor, principalmente a Astrologia Horária. Com o aparecimento da Psicologia acontece a desvalorização da vertente preditiva e a valorização da abordagem psicológica. A Astrologia passa a ser encarada especialmente como uma forma de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

Assiste-se à simplificação e banalização da Astrologia com a grande difusão e generalização do signo solar, com a criação de múltiplas correntes e abordagens, misturando-se com outras áreas esotéricas.

São integrados na interpretação os planetas descobertos com recurso a instrumentos, Urano, Neptuno e Plutão, assim como asteróides e planetóides.

Durante este período surgem múltiplas abordagens da Astrologia, a Astrologia Psicológica, Humanista, Esotérica, Transpessoal, Cármica e outras, todas aplicadas à Astrologia Natal.

Surgem os cálculos automáticos com os programas informáticos, facilitando o trabalho do astrólogo, que despendia um tempo considerável do seu trabalho, no cálculo manual de mapas astrológicos, mas banalizando o uso da astrologia, ficando ao alcance de qualquer pessoa, com pouca ou nenhuma formação, poder gerar um mapa astrológico e um relatório automático com uma interpretação geral.

Nos anos 80 e 90 do Séc. XX começam a aparecer traduções de obras antigas e assiste-se até hoje a um número crescente de praticantes da astrologia tradicional a par com os praticantes da astrologia moderna. A Astrologia começa a ser ensinada em algumas Universidades espalhadas pelo mundo. Apesar do ênfase ser na Astrologia Natal, os restantes 3 ramos da Astrologia, Mundana, Eletiva e Horária são amplamente aplicados hoje.

Alguns autores e obras de referência deste período

Séc.XIX Alan Leo – Modern Astrology, Astrology for All
Sepharial – Prognostic Astronomy
Evangeline Adams –
Séc. XX Charles Carter – Encyclopedia of Psychological Astrology
Vivien Robson – The Fixed Stars and Constellations in Astrology
Olivia Barclay – Horary Astrology Rediscovered
Marc Edmund Jones – The Sabian Simbols
Llewellyn George – A to Z Horoscope Maker
Alice Bailey – A Treatise on the Seven Rays
Dane Rudhyar – Astrologia da Personalidade
Grant Lewi – Astrology for the Milions
James Herchel Holden – A History of Horoscopic Astrology
Lois Rodden – The American Book of Charts
Jim Lewis – Astro*carto*graphy
Michel Gauquelin – L’Influence des Astres
Alexandre Volguine – The Solar Revolutions
Robert Hand – Planets in Transits
Robert Zoller – The Arabic Parts in Astrology, The Lost Key to Prediction

Patrícia Azenha Henriques, Junho 2014

Bibliografia

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